Equipa de Liderança

Equipa de Liderança

1. A Missão da Igreja, dos batizados
Os clubes existem para os seus membros. A Igreja é a única organização que existe para os não-membros! Está focada no exterior! Ou deveria…
Olhando para a Paróquia… Vivemos fechados em nós próprios? Os nossos grupos? Os nossos amigos? Os nossos horários? As nossas tradições? Os nossos batizados? A nossa catequese? Em fazer os paroquianos felizes? Vivemos em “autoconservação”?
Ou vivemos em missão? Sem esquecer os de dentro, olhamos mais para os de fora?

“sonho com uma opção missionária capaz de transformar tudo para que os costumes, os estilos, os horários, a linguagem, e toda a estrutura eclesial se tornem um canal proporcionado para a evangelização do mundo atual que à auto preservação (Papa Francisco, Evangelii Gaudium [EG] 27)”

Uma vez, Jesus disse que era capaz de deixar 99 ovelhas para ir à procura de uma ovelha perdida. Não estava tudo bem com 99? Para quê ir à procura de uma ovelha perdida?
Vamos ser sinceros, ninguém iria arriscar ir atrás de 1 ovelha, tendo 99 em segurança! Mais valia perder essa ovelha!
Jesus diz que devemos deixar as 99 ovelhas e ir à procura dessa tal ovelha perdida.
Nós somos chamados a isso, e não a engordar as 99 ovelhas…
Hoje, ainda teremos 99 ovelhas? Talvez as 99 estejam lá fora…
E talvez a única ovelha que ainda está no rebanho seja demasiado refilona, ameaçadora e bloqueadora que consegue impedir que o pastor vá chamar as 99 que estão lá fora. Fica o desabafo.

Neste tempo de crise religiosa, com as igrejas a esvaziar, é altura indicada para que cada cristão pare e pense. “Que ovelha sou eu?”, “que faço eu pelo rebanho?” e “que faço eu pele ovelha que está fora?”, “que faço eu pelo pastor?”.
Talvez tenhamos de abrir o nosso coração ao que aí vem e ser ovelhas mais abertas à Palavra de Jesus e menos à palavra que sai dos nossos corações pequenos e cheios de vícios.

Às vezes existem medos que paralisam, medo de errar, medo de falhar, medo de que as pessoas reajam mal e fiquem chateadas, medo de ser julgados, medo do desconhecido, medo de abandonar as velhas maneiras de fazer as coisas…
A religião está em crise? A Paróquia está em crise? Talvez porque não nos dedicamos à Missão que Jesus nos confiou! Talvez estejamos a fazer tudo menos aquilo que Ele pede.

“Fazei discípulos entre todos os povos”, encontramos no final do seu Evangelho. É isso que estamos a fazer? É para isso que trabalhamos? E, preparamo-nos para sermos melhores discípulos?

2. O poder na Igreja é o Serviço
“Às vezes criticamos os políticos de estarem agarrados ao poder, à poltrona. Mal sabem os políticos que em muitas igrejas, dioceses e paróquias há pessoas ainda mais agarradas ao poder, de forma mais insolente. Para algumas pessoas, estar ao serviço de Deus transformou-se em ser-se galardoado com uma coroa vitalícia num certo domínio.” (O Manual da Sacristã perfeita, p. 9, Paulus).
“Os jogos de poder que vemos na política, também existem na paróquia. Em vez de serviço, encontramos pessoas que se querem servir, pessoas que querem defender melhor a sua fortaleza, a sua devoção e atacar os outros, na esperança de aumentar o prestígio pessoal” (p. 10).
Ser chamado por Deus para servir a Igreja tem um sabor diferente. Muito diferente.
A Igreja é Comunidade de pessoas reunidas à volta do Senhor Ressuscitado. Que não se calam de anunciar que Ele está vivo! Hoje Ele está vivo!
É Ele, Jesus, que “pode sempre renovar a nossa vida e a nossa comunidade, e a proposta cristã, ainda que atravesse períodos obscuros e fraquezas eclesiais, nunca envelhece. Jesus Cristo pode romper também os esquemas enfadonhos em que pretendemos aprisioná-Lo, e surpreende-nos com a sua constante criatividade divina. Sempre que procuramos voltar à fonte e recuperar o frescor original do Evangelho, despontam novas estradas, métodos criativos, outras formas de expressão, sinais mais eloquentes, palavras cheias de renovado significado para o mundo atual. Na realidade, toda a ação evangelizadora autêntica é sempre «nova».” (EG 11)

3. Para aprofundar mais um pouco…
Em vez de manter edifícios e satisfazer as necessidades dos “fregueses”, as Paróquias estão chamadas a ir muito mais longe e a abraçar a sua verdadeira missão, que é fazer discípulos. O futuro da Igreja depende disso.
Antes da sua Ascensão, Jesus pediu aos discípulos para irem até aos confins do mundo para fazerem discípulos, partilhando o Evangelho. Nasceram as paróquias. Mas, essa missão começou a perder-se ao longo dos tempos.
Chegados a 2018, é natural que exista uma grande crise na Igreja. Afinal, quando se perde a identidade, ganha-se uma crise.

Cada paróquia – também a nossa – deve ser um oásis no meio de um mundo onde as almas das pessoas estão cada vez mais secas e vazias. Somos?
Por isso, a questão que hoje levanto é: “há algum motivo para não fazermos da nossa Paróquia um posto avançado no meio do mundo onde essas pessoas possam saciar a sede?”.
Ou, talvez esta pergunta ainda seja melhor, “existe alguma organização no mundo mais importante e que deva ter bastante qualidade do que a tua Paróquia?”.
A resposta a estas duas questões deve ser um grande “não”.
E isto leva-me a levantar nova pergunta: “o que podemos fazer para que esta Paróquia seja um posto avançado no meio do mundo para que toda a gente se torne discípula de Jesus?”

Na nossa Paróquia, ao longo do último ano e meio, temos rezado, estudado e pensado muito nestas questões fundamentais. São perguntas que nos deixam inquietos.
Os habitantes daqui precisam do melhor que temos, a nossa terra precisa de Jesus e da sua Igreja – que somos nós! E como podem conhecê-l’O se não O anunciarmos?

A “missão” não é somente no meio da selva, rodeados de crocodilos e elefantes. É também aqui. Aqui mesmo. Mas, cuidado, só podes anunciar se O conheceres. Por isso, é importante que te tornes bom e melhor discípulo!
No ano passado, ao longo de vários encontros, apresentei a realidade da Paróquia e da Igreja Católica a todos aqueles que quiseram comparecer. Foram muitos. Há uns meses lancei o convite a todos os grupos e pessoas para iniciarem uma corrente de oração pela renovação espiritual desta Paróquia.

Nunca falha quem nada faz, não é verdade? Inquietos pela realidade atual da Paróquia, colocamos tudo nas mãos de Deus. Se revitalizar esta Paróquia é a Sua vontade, então as coisas acontecerão. E, se é mesmo a Sua vontade, então vão aparecer grandes obstáculos, provavelmente entre os fiéis mais instalados nas suas convicções pessoais e com pouca abertura à Missão da Igreja e da Paróquia. Mas, nem mesmo Jesus se livrou das dificuldades causadas pelos mais religiosos do seu tempo…

Para já, continuamos na fase da oração. Que deve ser cada vez mais intensa.
Simultaneamente, tenho falado com colegas sacerdotes que já iniciaram processos de renovação nas suas paróquias e que estão a ter ótimos resultados. Confiemos e ousemos em fazer. Ou, como diria o Papa Francisco, “A pastoral em chave missionária exige o abandono deste cómodo critério pastoral: «fez-se sempre assim». Convido todos a serem ousados e criativos nesta tarefa de repensar os objetivos, as estruturas, o estilo e os métodos evangelizadores das respetivas comunidades.”

Que todos os nossos planos de ação e de reforma sejam orientados para que todos nos tornemos melhores discípulos-missionários. Como dizia João Paulo II aos Bispos da Oceânia, «toda a renovação na Igreja há de ter como alvo a missão, para não cair vítima duma espécie de introversão eclesial».

4. Uma Equipa de Liderança
O ponto 3 mostra o quão inquieto estou. Muito. Não acredito que a Paróquia sirva para se servir a si própria. Estou cada vez mais convencido que a Paróquia só tem sentido de existir se estiver a ser um oásis no meio de uma sociedade cheia de sede.
Cheguei à conclusão de que a melhor maneira de levar a Paróquia a cumprir a sua missão é alterar a forma como a mesma é gerida e liderada. Essa é a minha responsabilidade e eu sou o responsável por ter demorado tanto tempo a perceber isso. Até São Paulo o sabia, e já tinha essa Equipa, conforme se pode ver nas suas cartas (exemplo em Tito 3,12-15). Não é novidade na Igreja. Ou talvez seja, pois é algo que desapareceu conforme o poder do Pároco aumentou (esse poder era tal que as pessoas perderam a voz na Igreja).

Decidi, na missa campal de 10 de junho, com uma grande multidão de paroquianos de todos os pontos da Paróquia, partilhar tudo o que está escrito nos pontos anteriores. Queria que toda a gente soubesse o que penso e como vejo a Igreja – utilizando textos do Magistério.
E anunciei que, depois de vários meses de oração, de estudo, de diálogo com vários padres de Paróquias muito vivas, cheguei a uma conclusão. Esta paróquia precisa de algo.

Irei criar nesta Paróquia uma Equipa de Liderança. Não falo do Conselho Pastoral Paroquial nem do Conselho Paroquial para os Assuntos Económicos, nem do grupo que reúne mensalmente com os responsáveis dos vários grupos paroquiais.
A Equipa de Liderança será uma Equipa pequena, de três ou quatro pessoas, que vão ficar cheias de trabalho porque irão ajudar-me a orientar e gerir toda a Paróquia. Pessoas que possivelmente têm o seu emprego e que vão ganhar muito trabalho (e uma cruz) ao entrar na Equipa de Liderança.

A Paróquia é muito importante. Levo esta missão muito a sério. E sei que a Paróquia tem o dever de encaminhar muita gente para Jesus.
É uma Missão tão importante que faz da Paróquia a instituição/empresa mais importante que existe numa área de vários milhares de quilómetros.
Por isso, precisamos de ser mais ágeis, mais estratégicos, mais informados e hábeis. Isso não acontece com 8 ou 25 pessoas numa sala, reunidas trimestralmente. Temos de fazer algo diferente. Obviamente que as reuniões do Conselho de Pastoral ou dos líderes dos grupos vão continuar a existir, pois são muito importantes para perceber o caminho da Paróquia e transmitir informações para os vários elementos.

A Equipa de Liderança vai avançar.
Algumas pessoas podem começar a pensar “irei fazer parte?”.
Talvez fiquem ansiosas “com certeza que vou pertencer a essa Equipa. Há tantos anos que trabalho na paróquia e até sou amigo do padre”.
Bem, acho que poderão surgir alguns pensamentos como estes.
Outras pessoas poderão ficar: “mas o padre escolheu o fulano tal? Como é possível? Eu estava melhor preparado e conheço muito bem a paróquia!”.
Eu sei.
Outros poderão ficar “mas eu não fui escolhido? Como é possível? A Paróquia deve-me muito! Já não sou respeitado! Vou embora!”.
Eu sei.
Ser membro da pequena Equipa de Liderança não vai ser um prémio por prestação de bons serviços.
Ser membro da pequena Equipa de Liderança não vai significar que sejas mais importante que os outros.
Talvez nem entrem na Equipa de Liderança os nossos mais talentosos, capacitados e paroquianos dedicados.
Talvez até entrem pessoas que não gostas ou nem pensem como tu.

Uma Equipa de 3 ou 4 vai ser, obviamente, complicada de formar. As pessoas receberão uma carga enorme de responsabilidades, de muito trabalho e, possivelmente, de pouco reconhecimento publico.
Ao escolher o dia da Festa para anunciar este passo tão importante, a criação de uma Equipa de Liderança, é porque não há nada a esconder. É importante que exista comunicação entre nós todos, irmãos. Os 3 ou 4 elementos que irei escolher, após uma temporada de oração e jejum, mais do que receber um prémio, irão receber uma cruz.
Muitos não serão escolhidos. Por favor, não fiquem ofendidos. E não olhem para a Equipa de Liderança como um grupo de favoritos do padre ou de clube especial. E não seja motivo para saltarem para fora dos vossos serviços atuais na Paróquia.
Diria um amigo meu canadiano, “todas as mudanças são difíceis no começo, confusas no meio e fantásticas no final” (Robin Sharma).

Acredito que o desconforto inicial que a criação desta Equipa de Liderança irá criar será algo temporário e irá acalmar quando começarem a surgir os primeiros frutos.
Todos os padres que têm uma Equipa de Liderança e com quem tenho falado, são unânimes em informar-me que a confusão inicial é enorme. As lutas de poder, os ciúmes, as conversas de corredor e nas costas serão mais que muitas. Mas, e isto é geral, todos baixaram a bolinha mal surgiram os primeiros frutos.
Poderá haver erros. É bom sinal. É sinal de que estamos vivos e a tentar encontrar formas de chegar a mais gente, à ovelha que está fora do rebanho. Quem está de braços cruzados nunca falha, nunca erra, porque nada faz.

Que Santo António, que remou contra a corrente do seu século, sempre pela evangelização, reze por nós junto de Deus.

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